Os anos,
que passam, não lhe davam respostas. Nem claras nem obscuras. Nenhuma.
Definição. Luz. Nada. Ele cria estar perdido, talvez, para sempre, em tantas
interrogações, que se aninhavam num montante rijo, sem canto flexível.
E assim,
mesmo sofrendo por sua peculiaridade, conseguiu ser adulto e ter família. Aquele
menino que queria saber o mundo, cresceu e deixou as dúvidas de lado para proletarizar
e sobreviver.
Até que,
num dia qualquer, já bem velhinho, aquele que emburreceu nas certezas de seu
cotidiano, evocou a sua infância. As perguntas sem respostas. E na hora do
baque final, da senda para o outro lado, ele se lembrou de um dia ter brincando
de amarelinha, que pulava de casa em casa, e quando chegava no obstáculo,
ignorava-o e continuava rumo ao céu. Morreu sem saber as respostas; sorrindo.
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