sexta-feira, 29 de novembro de 2013

DIANTE DA DÚVIDA, UM SIM

                 O pequeno tinha uma dúvida. Na verdade, várias delas. Essas, tornavam o garoto um tanto estranho e isolado. Ninguém queria estar com um menino que sempre tinha perguntas irrespondíveis. Esse menino sabia que não se aspira por respostas.
                Os anos, que passam, não lhe davam respostas. Nem claras nem obscuras. Nenhuma. Definição. Luz. Nada. Ele cria estar perdido, talvez, para sempre, em tantas interrogações, que se aninhavam num montante rijo, sem canto flexível.
                E assim, mesmo sofrendo por sua peculiaridade, conseguiu ser adulto e ter família. Aquele menino que queria saber o mundo, cresceu e deixou as dúvidas de lado para proletarizar e sobreviver.

                Até que, num dia qualquer, já bem velhinho, aquele que emburreceu nas certezas de seu cotidiano, evocou a sua infância. As perguntas sem respostas. E na hora do baque final, da senda para o outro lado, ele se lembrou de um dia ter brincando de amarelinha, que pulava de casa em casa, e quando chegava no obstáculo, ignorava-o e continuava rumo ao céu. Morreu sem saber as respostas; sorrindo.

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